Alpendre: espaço coberto por telhado, mas sem paredes, pelo menos na frente. = TELHEIRO in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

 

Quem não gosta de comer no alpendre? Se for essa pessoa, não leia o que vem a seguir. Vá-se embora,  reze sete avé-marias e talvez o perdoemos.

Já foi?

Os que ainda aí permanecem não esmoreçam. Se gostam de comer (e fazer outras coisas em alpendres), só têm a ganhar em acompanhar este nosso relato. Quem já leu as nossas aventuras por Cacela Velha sabe que somos pessoas dadas a um bom peixinho grelhado e marisco de todo o tipo. Quando não ficamos alojados num apartamento (ou mesmo que fiquemos e não nos apeteça cozinhar), gostamos de experimentar restaurantes para conhecer melhor a oferta gastronómica da zona. A nossa vasta experiência em meter coisas com e sem espinhas à boca faz de nós peritos a não desconsiderar. Dito isto, contamo-vos um segredo: os melhores restaurantes do sotavento algarvio são, regra geral, os menos pretensiosos. É o caso do Alpendre, em Vila Nova de Cacela.

Encontrámo-lo por acaso, ao regressar de uma das muitas praias escondidas e quase desertas da zona. Torcemos o nariz à primeira impressão, desconfiados por se encontrar à beira da estrada nacional. No entanto, a quantidade de carros parados e o aspecto local dos comensais suscitou em nós curiosidade suficiente para arriscar. E ainda bem. Um alpendre à maneira, simples e acolhedor, familiar, com duas salas interiores com aspecto de café e um grelhador a carvão enorme atrás, onde são assadas as mais distintas iguarias. Quando lá fomos pela primeira vez, o S. lambeu os beiços com sardinhas assadas, e a S. pediu chocos DUAS VEZES. Sim, pediu duas doses para ela, e ainda foi à sobremesa. Chegou mesmo a dizer ao senhor que foram os melhores chocos que comeu na vida, o que não é coisa pouca.

O Alpendre é um restaurante económico (para a região), excelente para peixe grelhado e também para algum marisco, se bem que para este último não prime pela variedade. Tem um atendimento caseiro, rápido e atencioso. Há por vezes miúdos aos gritos, livres, pelo alpendre, que ganha aqui uma magia especial, encerrado num bom acolhimento no meio de algumas paredes.

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