A aldeia da Cabeça foi a nossa última paragem antes de regressarmos a casa. Localizada a 530 metros de altitude e a cerca de 20 km de Seia, é frequentemente apelidada de Aldeia Natal devido à festa que se realiza entre Novembro e inícios de Janeiro durante todos os fins de semana, e que inclui um mercado de natal e um presépio vivo. Esta celebração é muito famosa e foi-nos descrita pelos moradores com um grande orgulho, explicando-nos como decoram a terra com videiras, pinheiros e giestas.

Cabeça é igualmente uma aldeia vanguardista no que toca a esforços ecológicos, ostentando o título de primeira aldeia Led de Portugal desde 2011. As luzes espalhadas por todo o lado fazem dela um autêntico presépio. Para meter qualquer grande cidade a um canto, os habitantes de Cabeça têm rede wi-fi gratuita desde 2007. E esta, hein? diria o saudoso Pessa?

Esta carismática aldeia permitiu que acabássemos o nosso roteiro pela Serra da Estrela com chave de ouro. Consegue fundir o moderno com o antigo enquanto conserva toda a sua autenticidade, respirável a casa passada. Fomos incrivelmente bem recebidos pelos seus habitantes, na maioria idosos, extremamente generosos e afetuosos. Para terem uma ideia, saímos de lá carregados com sacos de fruta, incluindo deliciosas laranjas que uma senhora foi buscar a casa de propósito para nos dar.

A arquitectura da aldeia é dominada, como na maioria das aldeias serranas, pelo xisto, que pontua as ruas e o casario ao longo de belos e verdejantes socalcos, concedendo-lhe uma mística encantada, terra quase de bonecas. De ambiente rural, as actividades da aldeia concentram-se essencialmente na pastorícia e no cultivo dos campos em redor.

Entretemo-nos a calcorrear as ruas estreitas e irregulares de pau caminheiro em riste, admirando a beleza das construções e conversando animadamente com quem connosco se cruzava. Para acabar, metemo-nos pelos campos adentro para explorar os trilhos e roubar mais laranjas, até chegarmos a uma espécie de piscina natural alimentada por um límpido riacho (não falta água, ali), e de onde vários miúdos se atiravam de uma ponte. De cabeça!

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