Gostamos imenso de praia e quanto mais deserta e com menos gente, melhor. Para nós,  fazer praia não é ficarmos deitados a virar o frango (se bem que tal prática sabe bem ocasionalmente). Adoramos estar sempre em movimento, seja a caminhar, a descobrir tesouros enterrados ou a apanhar conchas. A S., que sofre daquele bicho que dizem ser carpinteiro, é incapaz de ficar muito tempo quieta na toalha, levando os amigos e o S. ao desespero com os seus insistentes pedidos para “ir dar uma volta” depois de cinco minutos na toalha.

Em tempo de pandemia e depois de termos desistido de frequentar as praias do Meco por estarem à pinha (aqui a distância de segurança é para esquecer), e frustrados por podermos dar os nossos longos passeios pelo areal, eis senão quando a S. faz a descoberta do milénio: uma praia deserta a 1h de Lisboa. Como é que é?? É!!

Pensámos bastante até decidir partilhar isto aqui com medo que o nosso grande segredo passe a ser demasiadamente frequentado, mas como temos de ser uns para os outros, e na verdade estamos perto da santidade, aqui fica. Estão a ver o filme da Lagoa Azul, com a Brooke Shields e aquelas praias paradisíacas? Não precisam de ir até lá, nem sequer até ao Algarve, para as encontrar (bem, se quiserem encontrar a Brooke achamos que ela vive em L.A., mas sem certezas).

Não procurem mais. Há imensas praias giras e tal e coisa perto de Lisboa, a Figueirinha na Arrábida também é muito gira, mas sabem o que têm de pior? Gente. Sim, como nós, mas em maior número. Não sabemos se o vosso ritmo cardíaco está preparado para esta descoberta: há uma praia em que podem ser quase só vocês os únicos náufragos, com vistas esplêndidas para a Serra da Arrábida e Tróia (ok, se tirarmos a cimenteira da figura melhora ainda mais, mas não se queixem).

Falamos da “ILHA”. Deserta. Em Tróia. Ai pronto, já dissemos, que medo.

 

Mais conhecida por Cabeços de Tróia, a Ilha é uma língua cujo acesso se faz apenas de barco do Porto de Setúbal (há pelo duas companhias que fazem o transfer, sempre em barcos de borracha com capacidade para 5 pessoas ou pouco mais, cerca de 15 euros ida e volta). A viagem de barco até chegar à ilha é cheia de adrenalina, especialmente quando o mar está mais agitado. Querem melhor? Nós temos. Se forem durante a semana, é muito natural que sejam os únicos no barco, como aconteceu algumas vezes. É uma experiência fantástica.

 

Chegados ao areal, somos literalmente abandonados na ilha depois de combinar uma hora de recolha, e… ficamos por nossa conta. Importante: trazer marmita e muita água, ali não há rigorosamente nada a não ser areia, algas, mar de um lado, ria do outro. O nosso spot preferido é o promontório, uma língua mais elevada onde se concentram as gaivotas ao início da manhã e final da tarde.

Passar um dia na ilha é absolutamente incrível. Muitas vezes fomos os únicos lá, chegando mesmo a praticar nudismo (nossas ricas mãezinhas), para choque das gaivotas e peixes. Dependendo dos dias, há mais ou menos barcos privados a atracar na zona, mas sempre com espaço suficiente para nem vermos outras pessoas.

A Ilha foi seguramente um dos nossos achados de 2020. Deixou lembranças fantásticas, incluindo o salvamento e resgate do Fernão Capelo, uma gaivota em apuros que a S.  ajudou num dos dias em que foi sozinha, com a ajuda da L. que por ali passava com uns amigos, e que acabou com a intervenção do ICNF.

 

 

Ao ver o aparato do barco de resgate, outros náufragos acorreram para ajudar a soltar o dito do maldito banco de areia. Tudo para salvar uma gaivota. Que aventura bonita! Engraçado que até numa ilha deserta se encontram boas pessoas. Já nas menos desertas…

Vão lá. Esperamos não vos ver.

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