Cacela Velha é o nosso sítio.

A S. descobriu-o primeiro, há quase uma década, numa viagem inesperada de lazer/trabalho e logo uma sensação de comunhão plena com a natureza ficou bem impressa em todos os seus sentidos. Uma paz difícil de colocar em palavras que a leva a regressar todos os anos àquele que é um dos seus refúgios de eleição.

 

 

Quando começámos a namorar, Cacela foi assim, naturalmente, a primeira viagem que fizemos a dois, e a magia do local depressa contagiou o S., que imediatamente se rendeu à sua beleza.

Uma aldeia pequena em topografia mas com um encanto que não cabe em mapas, elevada sobre a mítica Ria Formosa, oferece, do seu promontório fortificado, uma vista extasiante.

O mar de águas quentes e límpidas é acessível através de uma iniciática travessia por umas longas escadas ladeadas de imponentes cactos seivosos de afago doloroso.

De um lado, a ria, temperada a salicórnia, albergando milhares de caranguejos e outra vida marinha, onde várias vezes encenámos feitos dignos de Robinson Crusoe (incluindo nudismo total, dedos cortados, espinhos nas partes, e construção de cabanas).*

Com cálculo, a aventura torna-se ainda mais desafiante na dança das marés. Consoante a habilitação em marinharia, pode chegar-se ao lado do mar a seco, molhando apenas os joelhos ou em pré-afogamento.

Os temerosos podem optar por fazer batota e subir a bordo de uma embarcação, mas o resultado será sempre o mesmo: um areal infinito para o qual apetece correr a chorar com ânsia de mergulhar naquela água calda que não precisa do ritual “molha a perna, e muito depois a barriga, depois as costas, depois volta um bocadinho à barriga e depois alguém empurra”.

Quando, já enrugados, decidimos sair da água, nunca há lugar para inactividade. Entre a apanha da conquilha, do lingueirão (o truque é o sal), do garimpo de preciosas conchas e búzios, da conversa com pescadores, e do ocasional virar de frango no baixio da maré, é preciso estar atento à hora do regresso, sob pena de fazer batota.

 

Ao chegarmos ao outro lado, ainda há tempo para belas caminhadas e passeios de bicicleta.

Depois desta façanha admirável, nada mais apetece do que não ter de andar muito para tirar o sal do corpo e jantar algo que não seja da marmita. Para opções de alojamento recomendamos a Casa de Cacela ou o Cantinho da Ria Formosa, e quando a fome apertar experimenta a Casa Velha ou O Alpendre.

*alerta: de forma a evitar ataques dada a natureza chocante das imagens, partilhamos apenas as fotos da cabana).

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