A primeira e única vez que a S. tinha ido à belíssima Casa de Chá da Boa Nova fora em 2008 mas nunca esquecera o sentimento de encantamento que essa visita havia provocado em si, incluindo a apanha dos adoráveis “beijinhos” na praia de areal extenso. Já o S. nunca tinha visitado o espaço e o facto de estar a passar umas semanas no Porto a trabalho, e de ter recebido a visita da S. durante uns dias para matar saudades, foi a desculpa perfeita para um almoço mais especial, que a S., como princesa que é, insistiu ser seu direito. E assim foi. Muita coisa tinha mudado desde a última passagem. Já não era um salão de chá mas estava agora completamente dedicado ao restaurante, gerido pelo estrelado Chef Rui Paula.

O edifício em si mantinha-se na mesma. Absolutamente deslumbrante, num enquadramento natural fantástico e selvagem, construído em cima das rochas, com vista directa para o mar revolto que impõe respeito através de enormes janelas de vidro intercaladas com madeira robusta e paredes caiadas de branco. Mesmo antes de entrar é possível admirar a genialidade deste projecto do arquitecto Siza Vieira.

As escolhas gastronómicas são arrojadas e criativas, merecedoras das duas estrelas Michelin. Ficámos algum tempo a olhar para a carta, sentados nos confortáveis sofás da recepção. Quando o Chef nos viu indecisos sugeriu-nos o prato do dia, a cataplana de peixe e marisco.

Foi o que escolhemos e estava muito bom. Toda a refeição foi intercalada com imensos e surpreendentes preparos culinários originais oferecidos ao longo da refeição, que adorámos pelo toque criativo e inovador, e que nos fez pensar que numa próxima gostaríamos de optar pelo menu de degustação e não pelo prato do dia, apesar da indubitável qualidade do mesmo.

Queríamos ter provado mais daquelas coisas deliciosamente estranhas, incluindo a tosta aquecida, barrada com banha e acompanhada por manteiga de azeite, ou o taco de frutos do mar, criações alusivas aos sabores de infância do próprio Chef, e servidas com requinte exemplar pelos funcionários. A arte do servir é aqui também uma grande parte desta experiência.

Além da simpatia e solicitude de todos, sempre muito atentos, o próprio Chef faz a gentileza de aparecer e ficar a conversar um pouco com os clientes, gesto que muito apreciámos. Para sobremesa, escolhemos o colheita tardia, que consiste num gelado de vinho com noz-pecã caramelizada e mel.

Para acabar em apoteose, seguiu-se um conjunto de bombons, que chegaram num carrinho e foram sendo apresentados com algum aparato teatral através de pequenos barcos, a sugerir uma ligação com a época dos Descobrimentos e a envolvente marítima do local. Foi pena só podermos escolher apenas um cada um, pois pela S. tinham ido todos. Se pretende uma experiência de alta cozinha num sítio detentor de uma panorâmica assombrosa, não deixe de visitar a Casa de Chá da Boa Nova.

Artigos Recentes

Digite e pressione enter para pesquisar