Uma das nossas formas preferidas de viajar é fazer uma mala e partir sem destino, pelo puro prazer da aventura e do desconhecido. Às vezes corre bem e outras nem tanto. A nossa estadia na Casa do Plátano, em Arraiolos, estava-nos destinada sem o sabermos. Quando saímos de Lisboa no ventura-móbil, resolvemos rumar à lindíssima Serra da Ossa, esperando poder pernoitar no fantástico Hotel Convento de São Paulo, onde a S. já havia ficado em tempos. Para nosso azar, um grande casamento logo à entrada fazia adivinhar o pior: não havia quartos disponíveis. Demos voltas e mais voltas, e mais voltas, e mais voltas, e começámos a ficar frustrados pois todos os sítios que encontrávamos e gostávamos já estavam completamente reservados (viajar em alturas de pandemia torna tudo mais difícil). Para piorar, eram quase 19h e a rabujice da fome (especialmente na S., começava a manifestar-se). A S. já estava por tudo, incluindo regressar a casa, mas numa derradeira tentativa sugeriu experimentar a Pousada Convento de Arraiolos. Apesar de resmungar quando o S. não se mostrou muito receptivo, concordámos que pagar tanto por apenas algumas horas sem poder aproveitar o sítio em todo o seu esplendor não era a melhor ideia. Assim, num esforço que parecia predestinado, encontrámos a Casa do Plátano com boas recomendações e, milagre, com um quarto disponível. Não houve discussão – rumámos à pequena vila de Arraiolos e depois de algum tempo para conseguir estacionar perto do alojamento, demos descanso ao ventura-móbil e dirigimo-nos para a entrada.

Ficámos agradavelmente surpreendidos. Uma casa antiga recuperada numa praça central agradável, com um ar elegante, caiada de branco e com um grande portão verde convidativo.

Tocámos e fomos recebidos por uma simpática senhora de sorriso aberto, que se apressou a convidar-nos a entrar. Mesmo sendo já noite cerrada, deu para perceber que o pátio interior era um sítio com bom gosto, incluindo uma pequena piscina e mesas para refeições.

O interior revelou-se um pouco menos apaixonante do que o exterior, algo datado apesar de indiscutivelmente bem cuidado. A decoração do nosso quarto era um pouco berrante para o nosso gosto, e a casa de banho algo pequena, mas estava tudo muito limpo e o sítio era bastante calmo e silencioso, como desejávamos depois de um dia desgastante. Perguntámos à solícita anfitriã se recomendava algum sítio para jantar pois estávamos esfomeados, e esta sugeriu-nos um bom restaurante (não abundam na vila), que podem conhecer aqui. De resto, foi uma noite algo atribulada pois o colchão era um pouco mole e a luz berrante do sinal de “saída” mesmo em frente à cama mostrou-se uma tortura para a S., que não consegue dormir com qualquer vislumbre de claridade. Felizmente, o S. é um homem engenhoso e conseguiu tapar a luz irritante atirando uma camisola, enquanto a S. orientava a operação resmungando da cama.

Pedimos um quarto com boa vista e foi o que nos deram. Ao acordar de manhã e abrir a janela, não podíamos ter pedido melhor quadro: directo para o Castelo de Arraiolos, com vista para  pequena piscina, e em frente de um jardim bem cuidado, coberto de plátanos. Ficámos a contemplar aquela pintura algum tempo. Que maravilha.

Com a vista a fazer abrir o apetite, descermos para a sala do pequeno-almoço. Esta não era muito ampla, mas revelou-se suficiente pois devido às medidas impostas pela pandemia, era apenas possível acomodar quatro pessoas de cada vez. Havia também um espaço exterior, mas fazia demasiado frio. O pequeno-almoço em si era simples e pouco variado mas com qualidade e com o essencial: fruta fresca, sumo natural, pão, croissants e café.

Em suma, apesar dos quartos pedirem uma remodelação, a cerca de 70 euros por noite, recomendamos muito este espaço, pela localização excelente, simpatia e acolhimento generoso de quem nos recebeu.

 

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