Já há algum tempo que a S. queria ir a Dornes, a 10 km de Ferreira do Zêzere, depois de ter ouvido maravilhas sobre esta vila com uma localização a fazer lembrar uma ilha encantada, no meio da Albufeira de Castelo de Bode. Assim, numa das nossas saídas, enquanto instalados na Quinta da Eira Velha, na bonita Aldeia do Mato, decidimos ir tirar a limpo as razões de tão afamado e lendário renome.

Dornes é de facto imensamente bonito. Contudo, íamos talvez com as expectativas demasiado altas. Acontece-nos isto invariavelmente (nas viagens e na vida em geral): quando vamos com muitas expectativas, depois os sítios, apesar de belos, nem sempre correspondem ao conto de fadas que fizemos na nossa cabeça. Com Dornes aconteceu um bocado isto.

Estamos perfeitamente convencidos que num dia de sol, e podendo fazer alguns trilhos pedestres, a nossa experiência teria sido outra. Desta feita, sentimos que em menos de 1h já tínhamos calcorreado todas as ruelas da aldeia. Atenção: o que há é bonito e mágico, com fortes heranças históricas e ligações aos Templários que conferem um ambiente encantado e especial ao lugar. E sim, a vista é sublime, quer da praia fluvial, ou de outros pontos.

No entanto, e  talvez também por termos ido num dia de chuviscos e frio que nos impediu de explorar a zona envolvente através de caminhadas, sentimos o sítio algo claustrofóbico, contornado por água por todos os lados sem dar para fugir.

Sim, porque imaginemos que algum Templário ganhava vida e tínhamos de fazer pela nossa, nem os barcos para alugar na praia estavam a operar, seria o nosso fim! Para piorar, um casamento a decorrer, e muita confusão de carros e gente no parque de estacionamento já por si pequeno.

Imaginámos que ir a Dornes proporcionaria um momento de introspecção e relaxamento e com aquela agitação foi impossível. Silêncio total? Ah? Falem mais alto que não vos ouvimos com tanto barulho! Mas adiante, que somos bravos.

A imponente Torre Pentagonal é, e com razão, o ex-libris da aldeia, e apesar de pequena em tamanho é absolutamente majestosa em aura, erguida pelos Templários durante a reconquista Cristã como espaço privilegiado de vigia contra o inimigo. Infelizmente, encontra-se fechada (e bastante danificada), mas sentámo-nos por breves momentos nos seus degraus (depois de esperar que os convidados do casamento tirassem as fotos da praxe).

Actualmente, é também torre sineira da pequena capela que se encontra ao seu lado, linda e caiada de branco e azul. Não conseguimos visitar a bonita e grande Igreja de Nossa Senhora do Pranto por causa do casamento, mas sabemos que é ricamente ornamentada e que tem lindíssimos painéis de azulejo e um não menos belo órgão de tubos.

Por tudo isto, queremos regressar a Dornes com bom tempo e menos comoção humana, para tirar teimas e conseguir absorver a paz e feitiço que sabemos que tem à nossa espera.

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