Aquando da nossa saída para comemorar o aniversário do S. em Março, e num dos dias em que ficámos instalados no Hotel Santa Margarida, em Oleiros, resolvemos fazer (mais) uma roadtrip e partir à descoberta de uma pequenina aldeia de xisto que o S. tinha gostado muito. Uma coisa que adoramos fazer é ver casas de aldeia antigas e solares (sonhamos muito comprar um por um preço acessível para recuperar), e o S. havia avistado uma dita casa do padre à venda em Figueira e meteu na cabeça que a queria ir ver. Claro que soando a passeio, aventura, ventura-móbil a subir serras, aldeias, e possível avistamento de cães a quem fazer festinhas, a S. não pestanejou e logo partimos por estradas lindíssimas de montanha com vistas fabulosas.

Chegados a Figueira, chamámos-lhe um figo. Localizada no concelho de Proença-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, a aldeia é mínima em tamanho mas enorme em carisma. A Rua Principal não tem nem 10 casas e é o centro da comunidade. Depois de um grande incêndio que destruiu boa parte da povoação, a aldeia está lentamente a ser recuperada através de fundos europeus, mas conserva ainda toda a sua autenticidade e beleza original.

Estacionámos ao pé da casa do Padre, e o S. apressou-se a telefonar para a agência de imobiliário a perguntar se a podíamos visitar. Logo a senhora Augusta, proprietária do restaurante de aldeia “Casa Tia Augusta” mesmo em frente, e que infelizmente nesse dia estava encerrado, veio ao nosso encontro, acolhendo-nos calorosamente. Quando lhe explicámos que estávamos com algumas dificuldades em visitar a casa, disse-nos que tinha a chave e prontificou-se imediatamente a fazer-nos uma vistoria, depois da autorização da agência. Ficámos radiantes. Mais radiantes ainda por ter o privilégio de ouvir da boca da Sra. Augusta histórias familiares e de todos os recantos da casa. Adorámos a forma generosa com que nos recebeu, e que se estendeu muito depois da visita à propriedade.

Guiados por ela conhecemos toda a aldeia, as histórias dos fogos, de cada casa e de quem lá vivia. Foi através dela que descobrimos recantos como o belo e grande forno comunitário, tão característico destas aldeias, e pela sua mão falámos com mais senhoras que, encostadas aos muros de xisto, apanhavam sol. Foi também ao segui-la que cumprimentámos velhotes sentados nas suas cadeiras às portas de casa. E  com isto sentimo-nos um pouco também na nossa. Apesar de termos achado o preço da casa do padre demasiado alto para nós, ficámos de coração cheio com a Figueira e com a simpatia das suas gentes.

E por tudo isto, e por termos também ficado de barriga vazia, prometemos à Sra Augusta que voltaríamos para provar não só as suas iguarias mas também para saborear a sua hospitalidade.

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