A S. já havia visitado Foz Côa há cerca de uma década, numa viagem de amigos pelas lindas terras de Figueira Castelo Rodrigo, e, mais recentemente, com familiares. O S. nunca havia estado lá e por isso mesmo aquando da nossa viagem por Linhares da Beira decidimos dar lá um salto.

Já vínhamos algo cansados da caminhada por Trancoso, e do calor de Junho, mas a S., sempre com a rotação a mil, insistiu com o S. para conhecer o Museu do Côa, inaugurado em 2010 e projectado por Camilo Rebelo e Tiago Pimentel. Que não podia perder, e mil e uma outra justificações, tendo feito inclusive uma leve birra quando o S. disse que então preferia depois ir descansar para o hotel e visitar Figueira de Castelo Rodrigo num outro dia. Pela S. era logo a seguir!

O museu é um dos mais bonitos e singulares não só do nosso país, mas do mundo. De betão austero, e com uma dimensão colossal, não deixa no entanto de estar perfeitamente integrado na paisagem sem a agredir. Presta uma homenagem perfeita aos dois grandes patrimónios daquela região: a Arte Pré-histórica e a Paisagem Vinhateira do Douro, contando com mais de mil rochas com gravuras rupestres espalhadas por quase uma centena de sítios, remontando ao período paleolítico, há cerca de 25.000 anos. Os registos arqueológicos não se encontram apenas em Vila Nova de Foz Côa, mas também em Figueira de Castelo Rodrigo, Pinhel e Mêda.

De linhas minimalistas e um bom gosto tremendo, o museu encerra, além da área da exposição, um restaurante e um café com uma vista fabulosa sobre as encostas do Douro, perfeito para admirar o nascer e o pôr-do-sol.

A cereja em cima do bolo (e estávamos em época delas), foi a mascote do Museu, um cachorro Serra da Estrela que se protegia do sol abrasador numa das sombras projectadas pelo edifício e a quem demos muita conversa.

Apesar de não o termos feito desta vez, recomendamos muito que ao visitar esta zona deixe tempo para fazer uma visita nocturna às gravuras rupestres organizadas pelo parque, de jipe ou canoa. A S. já teve oportunidade de fazer uma de jipe aos desenhos da Penascosa partindo do Centro de Recepção da Aldeia de Castelo Melhor e vale muito a pena (esqueçam as visitas durante o dia). Assim que tenhamos oportunidade, faremos uma e prometemos partilhar a experiência.

Foz Côa é quase impossível de descrever em palavras pelo silêncio contemplativo que aquelas paisagens estonteantes e vales de perder a vista transmitem. Terra de xisto, de belas rochas metamórficas e telúricas, ficou gravada na nossa memória e guardada nas muitas pedras, paus e pauzinhos que trouxemos connosco e que são as nossas recordações de eleição. Visitem Foz Côa e as terras em redor. Não é por acaso que é considerada Património Mundial pela UNESCO.

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