Somos os dois apaixonados por montanhas e suas penedias. Pelos anos do S. resolvemos fazer a rota das Aldeias de Xisto e um dos presentes da S. foram duas noites no Inatel do Piodão aproveitando o facto de sermos sócios. A viagem de carro para lá chegar foi levemente assustadora devido a um nevoeiro cerrado que não permitia ver mais do que dois palmos à nossa frente. Ficámos aliviados por chegar (e mais aliviados ficámos no dia seguinte quando nos apercebemos das estradas sinuosas por onde andámos sem ver nada). Ainda bem que o nosso ventura-móbil é bem comportado.

Como fomos em alturas da pandemia, não esperávamos que estivesse muita gente, mas mesmo assim aconteceu algo completamente inesperado: éramos os únicos hóspedes do hotel. Sentimo-nos senhores de um palácio gigante, que oportunidade única. Por fora, o edifício é belíssimo. Enorme, imponente, forrado a xisto com uma vista privilegiada sobre a mágica aldeia de Piódão, alcançável a pé em quinze minutos por caminhos de terra cortados por riachos e rebanhos – vale bem a pena fazer a descida a pé e não de carro. Para uma descrição mais detalhada da aldeia, sugerimos que leia o nosso relato.

Por dentro, o edifício encontra-se um pouco datado, mas fomos estragados com mimos pelos funcionários, incansáveis em ajudar a realizar as surpresas que a S. tinha preparado, incluindo a entrega do delicioso bolo de pão de ló recheado feito numa padaria local e deixado à porta do quarto antes das seis da manhã, para que se cantassem os parabéns às seis e meia em ponto.

A vista do quarto era incrível: uma janela pintura da aldeia de Piódão, que à noite, com as luzes ligadas, lembrava uma aldeia Natal.

O quarto era enorme e espaçoso, mas a precisar de algum investimento. Apesar da casa de banho ter uma grande banheira, não saía água quente (talvez por sermos os únicos hóspedes e não terem ligado a caldeira atempadamente), e foi preciso chamar assistência até o problema ser resolvido. Outras críticas incluem as camas (apenas individuais), o que não é ideal para casais; os resguardos de plástico dos colchões que são extremamente desagradáveis e fazem um barulho horrível (além dos colchões serem moles); e os lençóis demasiado pequenos para as camas. Resultado: dormimos mal, acordámos com as costas a doer e com a roupa de cama enrolada num ninho. Mas aquela vista compensou o sofrimento.

Em relação ao pequeno almoço, também nos desiludiu ligeiramente. Um típico buffet continental, sem grande alma. Teríamos preferido muito menos itens mas que fossem frescos e caseiros. Em relação ao atendimento, nada a apontar, cinco estrelas. Como estávamos sozinhos, pudemos usufruir da enorme piscina só para nós, e a S. ainda foi experimentar a sauna. No entanto, esta era paga, o que achamos que não devia acontecer com os hóspedes. Em suma, apesar de precisar de modernização interior, recomendamos este hotel pela localização de sonho, paisagem envolvente de cortar a respiração e simpatia dos funcionários.

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