Marvão é daquelas vilas que parecem tiradas de um conto de fadas. Empoleirada no alto do Parque da Serra de São Mamede, entre Castelo de Vide e Portalegre, a cerca de 900 metros de altitude, e deitada num aglomerado de granito com ar de coisa que sobreviveu ao desaparecimento dos dinossauros, era uma visita imperdível aquando na nossa estadia na zona. O ventura-móbil adorou serpentear aquelas belíssimas estradas alentejanas, sempre a subir e, quase a chegar à vila, olhar de lado a bela e grandiosa Igreja/Convento da Nossa Senhora da Estrela.

Estivemos muito indecisos na altura de escolher o alojamento para aquela viagem, se ficávamos mesmo na vila, se nas redondezas. A nossa opção de pernoitar nos arredores mostrou-se uma escolha acertada (podem ler mais sobre a nossa experiência na Quinta do Barrieiro). A vila fortificada de Marvão é verdadeiramente sublime, composta por ruas estreitas que conduzem ao imponente Castelo que remonta ao séc XII, mas recomendamos ficarem alojados nas redondezas para terem espaço. Se tivéssemos pernoitado na vila ter-nos-íamos sentido um pouco presos dentro das muralhas. Assim, pudemos usufruir do melhor de dois mundos: espaço e história. E se Marvão tem história.

A sua beleza começa na sua posição geográfica estrategicamente elevada de onde se avistam campos sem fim até à vizinha Espanha, passando pelas casas caiadas de branco com elegantes varandas de ferro forjado, e não termina nas muralhas do Castelo. A entrada para a vila, com menos de uma centena de residentes, permanentes faz-se pela adoravelmente sólida Porta de Ródão. Infelizmente, perdemos o importante Festival Internacional de Música Clássica do Marvão, um evento ao ar livre que tem lugar em Julho, e ao qual queremos assistir um dia. Entretemo-nos a visitar a Casa da Cultura que alberga exposições etnográficas e arqueológicas que vale a pena conhecer, e onde era antigamente a prisão e o tribunal, por sinal muito bem conservados. O museu também é merecedor de uma visita demorada, bebendo ritmos de uma história passada.

Acabámos a nossa visita pela vila numa das várias lojas de artesanato local onde apetece comprar tudo. Ficamo-nos no entanto por dois pratos lindíssimos feitos e pintados à mão por uma artesã, que oferecemos um ao outro.

O estimado S., com o seu refinamento habitual, lascou o da S. logo à chegada a Lisboa ao pensar que suportariam várias sapatilhas (sim, nós dizemos sapatilhas e não ténis, está bem?)

 

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