Uma das viagens que fizemos durante a nossa estadia no Gerês  levou-nos à porta de Lamas de Mouro, em Melgaço, uma das cinco portas de entrada no Parque Nacional. Esta conduziu-nos à bonita aldeia de Castro Laboreiro, cujo relato podem ler aqui, e à qual chegámos depois de um passeio e paisagens fantásticas, se bem que o nevoeiro não nos deu descanso (o ventura-móbil não pôde assim esticar-se muito pelas estradas sinuosas da alta montanha, como tanto gosta). Ao passar pela porta, que recepção mais perfeita: um bonito cão castro laboreiro esticado ao sol, de aspecto bonacheirão, a fazer lembrar-nos do Bono, que encontrámos no Parque da Cerdeira.

Chegámos invariavelmente esganados de fome, a horas impróprias para almoço de já tardias, e com a S. a sonhar com cabrito assado no forno, um dos seus pratos predilectos. Ao chegar à praça central, encontrámos dois restaurantes em lados opostos. Optámos pelo Miradouro do Castelo, pelo seu aspecto rústico e acolhedor, e também por ter uma grande placa a destacar o cabrito. A S. tentava conter a baba a escorrer só de pensar em chupar uns ossinhos. O S. nem tanto, dado que não aprecia. Ao entrarmos, duas salas. Uma mais interior, que nos pareceu servir refeições mais rápidas e cafés, e a outra, a principal, e onde ficámos, panorâmica, e com uma vista incrível para os penedos da serra e para o Castelo, oferecendo um postal tipicamente serrano. No centro da sala, uma lareira, e sobre esta, uma foto adorável de um cachorro castro laboreiro.

Fomos prontamente recebidos por um atento funcionário que deu a pior de todas as notícias à S.: o cabrito já havia acabado. Mais valia ter chegado o apocalipse perante tamanha desilusão. Ainda considerámos sair e tentar encontrar o dito no outro restaurante, mas àquela hora o desfecho seria certamente o mesmo. Optámos por ficar, com a S. a fazer uma ligeira birra dizendo que não queria nada e que era o fim do mundo sem o seu cabrito. Mesmo assim, depois da sua actuação dramática, decidimos experimentar uma saborosa sopa caseira acompanhada com pão rústico muito bom (não era do dia, mas era daquele pão que pode ter vários dias e fica impecável), e um bacalhau assado com broa e batatas. O bacalhau estava tão, mas tão bem confeccionado, e a dose era tão generosa, que a S. depressa se esqueceu do cabrito.

Foi melhor para o S. tirar a sua parte rapidamente antes que ficasse sem ela. Durante toda a refeição, o atendimento primou pelo cuidado, atenção, e boa disposição. Estávamos tão cheios que não quisemos sobremesa, apesar da S. ter considerado o bucho doce, pelos vistos uma iguaria muito característica da zona de Melgaço. No entanto, a palavra bucho e sobremesa não criaram uma imagem muito apetecível, e declinamos gentilmente a sugestão. É curioso (ou talvez não), que a maioria das nossas experiências gastronómicas serranas nos deixem sempre tão saciados que acabamos por passar a sobremesa, algo pouco visto nas nossas outras saídas.

Por tudo isto e muito mais, recomendamos imenso uma visita ao Miradouro, e voltaremos assim que nos seja possível.

 

 

 

Artigos Recentes

Digite e pressione enter para pesquisar