Ficámos no Monte Vale Mosteiro em Julho para comemorar os anos da S. A estadia neste agro-turismo foi uma das prendas do S., e não defraudou. Claro que o S. fez questão de só dizer para onde íamos à chegada, tendo tido a brilhante ideia de ir fazendo detours pelo caminho para enganar a pobre S., o que resultou em quase um dia de viagem. Em todo o caso, o percurso de carro é muito agradável e as paragens ao sabor do vento conferem-lhe um ar de roadtrip que ambos apreciamos, proporcionando a oportunidade de fazer descobertas como o restaurante O Bigodes, em Ortiga, onde almoçámos, e que se revelou uma bela e saborosa surpresa.

O Monte do Vale Mosteiro diz aquilo que é: um turismo rural elegante perdido no meio de oliveiras, castanheiros e rebanhos de ovelhas, envolvido por uma natureza rasteira repleta de uma paleta de cores impressiva. O ventura-móbil portou-se muito bem como sempre, fazendo uma perninha de jipe (e o que ele gosta disso), ao percorrer o caminho ainda longo de terra batida que conduz ao alojamento, depois de sairmos da estrada principal.

Julho é altura de um calor abrasador em Castelo Branco, com temperaturas a rondar os 40 graus, e neste enquadramento térmico a fantástica piscina infinita do monte, ladeada por um relvado bem cuidado para estender toalhas, torna-se rapidamente local de eleição e peregrinação de todos os hóspedes. Apesar de termos ido em altura de pandemia, sempre nos sentimos seguros e calorosamente acolhidos pela Luísa e pelo Jorge, os anfitriões. É ela que nos recebe.

Bem, antes da Luísa dá-nos as boas vindas o Góji, o lindo e pachorrento rafeiro alentejano da quinta, grande apreciador de mimo, a quem a S. não mais largou. Gostamos sempre de ficar em turismos rurais que tenham animais – confere-lhes mais autenticidade e potencia uma relação afectiva com o lugar.

 

Os quartos são lindíssimos, todos eles com nomes alusivos à flora local (ficamos no Violeta), e decorados com gosto e simplicidade. As casas de banho são grandes com toalhas de qualidade, todas elas com poliban. Mais uma vez, a S. ficou sem a sua banheira mas como estávamos mesmo em frente da piscina infinita e jardim, facilmente acessíveis por uma grande portada, rapidamente calou o seu queixume. Apenas uma crítica à falta de estores, falha aliás muito comum em praticamente todos os locais por onde temos pernoitado, e que afecta a nossa qualidade de sono. Lá andou o S. a tentar tapar as frinchas de luz com almofadas e mantas, enquanto a S. ajudou, orientando tão nobre tarefa recostada na cama. Estamos tentados a criar uma petição a favor da obrigatoriedade de estores em todos os alojamentos – é um problema recorrente e quando se vai em passeio, com o objectivo de abrandar e relaxar, uma noite de sono contínua faz a diferença.

O que faz também a diferença neste Monte é a possibilidade de acordar, abrir a porta e ir dar umas braçadas ainda antes de comer o saboroso pequeno-almoço com produtos da terra, caseiros, incluindo sumo, frutas e bolo (demasiados bolos, até!), preparado pela Luísa e pelo Jorge com todo o carinho.

Em suma, este é um daqueles sítios ao qual se vai para não se sair sequer do local (nós saímos uma noite para ir jantar ao Helana mas podíamos muito bem não o ter feito já que o local oferece jantar sob reserva e é sempre possível pedir uma coisa leve para o almoço). É um sítio perfeito para nos deixarmos invadir pelo silêncio e natureza, desfrutando da piscina, lendo um livro deitados na relva a metermos conversa com o Góji, ou a embalármo-nos na confortável rede pendurada no sobreiro, ao mesmo tempo que usufruímos da simpatia dos anfitriões naquela que é a verdadeira arte do bem receber.

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