Como contámos no relato sobre o Hotel de Moura, a nossa estadia nesta pitoresca cidade foi uma surpresa já que partimos sem destino traçado, tendo como único requisito ir para o Alentejo, mais especificamente a zona do Alqueva. Moura apresentou-se assim como uma terra desconhecida para ambos, e revelou-se uma das mais agradáveis descobertas.

Cidade raiana pertencente ao distrito de Beja, repleta de extensos oliveiras e sobreiros, Moura confina com Espanha, ladeada pelo rio Guadiana. Só ao chegarmos tivemos consciência da importância histórica deste lugar, tomado aos Mouros em 1166 e reconquistado em 1295. Tal legado é evidente na arquitectura elegante e nos variadíssimos monumentos, incluindo o imponente Castelo que remonta ao século XII.

Neste, destacam-se duas estruturas no seu interior: as ruínas do Convento de Freiras Dominicanas de Nossa Senhora da Assunção e a maciça e muito recomendada torre de menagem em estilo gótico, felizmente visitável. Quer-se dizer, visitável se vos abrirem as portas. Quem a quiser ver terá de ir à recepção pedir que vos seja autorizado o acesso à bela e sólida torre. Depois, há que subir uns degraus esguios que a serpenteiam, tornando tudo muito mais excitante. Adorámos andar por ali a vaguear, e ainda tivemos tempo para umas figurinhas bem alegres no avião dos sonhos alusivo ao Natal que se encontrava nos jardins e que pelos vistos é grande atração não só para miúdos.

Mas não é só o castelo que confere a esta cidade um registo encantado de clara influência mourisca. Aconselhamos igualmente a visita obrigatória ao Museu da Joalharia Contemporânea, também conhecido como Museu Alberto Gordillo, e ao novo e requalificado espaço museológico do antigo matadouro que alberga a Exposição Moura Arqueológica, a qual vale mesmo muito a pena. Mais uma vez, encontrámos estes sítios por puro acaso, ao passearmos pelo centro.  Além disso, a cidade tem imensas e grandes igrejas, belas fontes (não há falta de água aqui), conventos, jardins bem cuidados, e museus, que fazem de Moura merecedora de uma visita prolongada.

Por todo o lado, notámos o asseio característico das terras alentejanas, muito arranjadas e impecavelmente mantidas. O inconfundível casario branco e as belas chaminés são tema recorrente por entre as ruelas estreitas tão particulares. Também as gentes são acolhedoras e generosas, como aliás em todas as terras raianas por onde temos passado. Já a gastronomia… bem é melhor nem ir por aí pois só ousar proferir o nome e lembrarmo-nos do sabor dos pratos é capaz de nos fazer engordar logo cinco quilos, como foi o caso da nossa esperiência no delicioso Papa-Migas.

Fazendo jus à máxima “o acaso é o melhor guia”, Moura revelou-nos uma visita inesperada e de memorável beleza de uma cidade que nunca mais nos será desconhecida.

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