Como já partilhamos, aquando da nossa viagem por Linhares da Beira, ficámos instalados no Inatel. Numa das nossas incursões pela Serra da Estrela, rumámos a uma pequena mas carismática aldeia que a S. já havia visitado enquanto adolescente: Folgosinho, e que deixou em nós uma grande impressão. Aí, almoçamos num restaurante tipicamente serrano, exactamente aquele onde a S. tinha ido na sua primeira visita, O Albertino.

Para lá chegarmos, o ventura-móbil fez uma perninha (ou rodinha, vá) de todo o terreno, desviando-se frequentemente de pastores e ovelhas que passeavam calmamente no meio da estrada. Esta é uma imagem que levamos invariavelmente das paragens serranas, e que nos aquece a alma. É absolutamente maravilhoso ter de parar o ventura para deixar passar quem de direito primeiro. Contudo, um tremor assola-nos sempre que vemos este espetáculo. Por quanto mais tempo teremos oportunidade de presenciar esta vida rústica de uma autenticidade tão bela? Esperamos que muito.

Chegámos ao Albertino, mesmo à entrada da aldeia, e gostámos logo do aspecto rústico. Dois velhotes em amena cavaqueira estavam sentados em cadeiras de plástico à entrada. Para nosso espanto, não havia mesa. Foi-nos simpaticamente sugerido voltarmos dali a uma hora, o que fizemos, e a espera valeu bem a pena. Num ápice, estávamos novamente à porta, com caras de fome. Esta nossa condição deve ter parecido aparente ao dono, que imediatamente nos conduziu por umas escadinhas estreitas até ao andar de cima, onde se encontra a sala de refeições (em baixo funciona o café/bar).

O espaço é muito agradável, composto por mesas grandes e robustas de madeira e bancos corridos, marcadamente toscos, com forte sugestão medieval, não só pelos animais embalsamados incluindo javalis e veados (não propriamente o que gostamos de ver nas paredes, mas em sintonia com o espaço), como pelos candeeiros e paredes de pedra exposta.

Ao ver a cabeça de javali a olhar-nos piedosamente, a S. insistiu em ficar sentada ao lado dela para lhe dar festinhas e beijinhos. No entanto, isso não a impediu de comer que nem um. E comer um.

Optámos, seguindo a sugestão do prestável funcionário, pelo menu de degustação de preço fixo de 16 euros por pessoa, e que consistia em provar um pouco de todos os pratos disponíveis, música para os ouvidos da S., e não tanto para o S., que costuma ficar-se por carne de frango. Assim, vieram morcelas, presunto, queijo de ovelha, chouriço, arroz de cabidela de coelho, feijoada de javali (que o S. também provou), vitela assada de Folgosinho (o prato principal do S.), borrego assado no forno, e leitão. Temos de dizer que fomos enganados: o senhor havia dito que era para provar um “bocadinho” de cada, mas cada opção que nos chegava à mesa parecia uma dose para quatro pessoas. Estava tudo óptimo, mas como era comida tipicamente serrana, pesada, à base de carne, não houve lugar para sobremesa. Ao sair, parecíamos jibóias, e estivemos bastantes dias a digerir aquele manjar. A voltar (com mais beijinhos para o javali).

 

 

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