Aquando da nossa estadia na Casa do Plátano, em Arraiolos, e tendo chegado já tarde e a más horas, e por isso esfomeados, umas das primeiras coisas que perguntámos foi onde era possível comer, e bem. Recomendaram-nos o O Alpendre. Ao telefonar, ouvimos o temido “estamos cheios, só temos mesa às 22h”. Como é que é?? Às 22h? Mas eram 20h, e a nossa barriga estava a ser comida por baratas… Maldizendo a nossa sorte, atirámo-nos para a cama, preparados para atingir a santidade com aquela espera. Eis que alguma divindade nos deve ter ouvido, pois poucos minutos depois telefonaram a dizer que afinal tinha vagado uma mesa. Fomos a voar (bem, na verdade fomos a pé, mas dizer a voar cria mais dramatismo). Ao chegar ao local (bendito google maps para ajudar a navegar naquelas ruelas esguias que parecem todas iguais de noite, e quase desertas não fora um gato ou outro a passar), sentia-se a animação de um sítio concorrido. Muita gente de máscara à espera para entrar. Mas nós tínhamos a vantagem de sermos só dois, e por isso foi chegar e passar à frente enquanto pensávamos “in your face bictches!”, fazendo pirraça aos da fila. O Alpendre tem charme.

Um ambiente elegante, distinto, cuidado, com funcionários impecavelmente vestidos, rápidos no atendimento sem esquecerem o sorriso. Há três salas grandes mas acolhedoras, separadas por arcos de tijolo exposto. Uma perto da entrada, mais escura, outra no piso de cima que nos disseram ser para eventos, e a do alpendre, linda e luminosa, com apontamentos adoráveis incluindo uma fonte, uma garrafeira no tecto, e linhas de roupa com ceroulas penduradas sobre as mesas (confiamos, lavadas), realmente pitoresca. Ficámos sentados numa mesa elegantemente vestida com uma toalha branca. Como entrada, a S. pediu o que há muito desejava mas poucas vezes encontra com tão bom aspecto: torresmos.

Sim, sim, gordura de porco, para enjoo do S. que nem pôde cheirar e preferiu não pedir nada a abrir depois de ficar traumatizado. Estávamos cansados da viagem por isso optámos apenas por uma sopa de cação para dividir (era suficientemente grande), que se revelou deliciosa, e água da torneira mesmo, filtrada. Para sobremesa, a doçaria conventual é toda ela uma perdição, e como o S. não estava para aí virado, a S, decidiu experimentar, a conselho insistente de um funcionário depois de lhe comunicar que gostaria de provar algo exótico, o pastel de toucinho (mesmo com toucinho!) e voilá, odiou. Simpaticamente, e já que tinham sido eles a sugerir, ofereceram-nos outra escolha, desta feita deliciosa, tanto que até o S. quis provar: a menos exótica mas sempre certeira encharcada.

Nunca sentimos que comer bem e barato no Alentejo (ou em qualquer lado estes dias) seja possível, e Alpendre não é excepção. Contudo, pelo ambiente que proporciona e pela cuidada apresentação de todos os pratos, além da qualidade do serviço, cerca de 40 euros é um preço  que consideramos justo. Gostámos imenso do espaço e do ambiente, animado, com vida, e permitindo ao mesmo tempo distância suficiente entre as mesas, essencial em tempos de pandemia. A única coisa que não achámos justa foi cobrarem dois euros pela garrafa de água filtrada…mas continuamos a recomendar.

Para abrir ainda mais o apetite, sugerimos que pernoite em Arraiolos aproveite para visitar a bonita panorâmica do Castelo, como fizemos aquando da nossa estadia na Casa do Plátano.

 

 

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