A poucos minutos da vila histórica de Marvão, cujo relato podem ler aqui, encontra-se a fascinante Cidade Romana de Ammaia, elevada por volta de 45 D.C. a civitas. A sua descoberta foi para nós completamente inusitada, resultado do nosso tão apreciado gosto por viajar ao sabor do vento. Desta feita, estávamos instalados na bela Quinta do Barrieiro, que podem conhecer melhor lendo o nosso relato). Num dos dias resolvemos deixar o ventura-móbil andar por onde mais lhe aprouvesse, e claro está, foi para o meio dos campos, e nós não nos queixámos. Eis senão quando, chegados a São Salvador de Aramenha, avistámos a placa a avisar da proximidade da cidade. Ficámos logo entusiasmados. A rua de acesso é estreita e ladeada por terrenos agrícolas e um bonito ribeiro. Quem chega, não se apercebe da dimensão e grandiosidade do que está para além da fachada do pequeno museu que nos dá as boas vindas. Aí, podemos beber um pouco mais da história secular daquela que foi uma das mais importantes cidades romanas a sul do nosso país. O edifício do museu, de arquitectura sóbria e elegante, acolhe uma parte interessantíssima de achados arqueológicos de Ammaia, incluindo moedas, cerâmica, vidro e ornamentos variados.

O ponto alto da nossa visita surgiu precisamente quando pensámos que esta já havia terminado. Depois de investigarem o museu, os visitantes saem e são convidados a descobrir livremente toda a área da cidade. O complexo é composto por duas quintas num total de aproximadamente 25 hectares. Que maravilha! Perdemo-nos, completamente extasiados, a percorrer com surpresa tal achado. Logo a começar, a estrondosa Porta Sul, uma das portas da cidade melhor conservadas, com um arco imponente e colunas assombrosas edificadas sobre um chão de granito rude e resistente ao tempo, e um dos palcos do Festival Internacional de Música de Marvão, dedicado à música clássica. Daí, seguimos em direção às Termas, originalmente com dois tanques, de água tépida e fria. Infelizmente, a construção da estrada nacional EN 359 destruiu e dividiu grande parte desta estrutura. Aliás, tivemos mesmo de atravessar a rua para conseguir alcançar o Fórum de Ammaia, a parte mais distante e mais recentemente descoberta, e que constituía uma das zonas mais importantes  da cidade. É impressionante ver e imaginar o quanto ainda está por descobrir e escavar, soterrado naquelas terras férteis.  Foi memorável calcorrear e explorar a vasta área, sem restrições. Até nos perguntamos se esta não deveria ser mais protegida e vigiada, pois qualquer um pode deambular por ali, tendo apenas a impedi-lo uma pequena cancela. Foi uma experiência extraordinariamente pedagógica e introspectiva que muito recomendamos.

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