Em tempos idos, há precisamente uma década, a S. havia ficado no Parque da Cerdeira, no Campo do Gerês, com umas amigas que são praticamente irmãs. Essa viagem foi tão inesquecível que não admira portanto que assim que decidimos passar uns dias a descobrir o Parque Nacional do Gerês, esse tenha sido um dos nossos sítios de eleição. E o regresso foi igualmente mágico, mesmo em tempos de pandemia.

O parque é um paraíso para amantes da natureza, e possui todas as comodidades para uma estadia inesquecível, incluindo uma grande piscina exterior (que não pudemos usar por ser fora da época). Não deixem de ler o nosso roteiro pelo Gerês. À semelhança da viagem anterior, decidimos ficar alojados nos belos bungalows de pedra, na parte mais distante e isolada do parque, que permitem respirar silêncio e paz em total sintonia com uma natureza selvagem e extremamente bem cuidada. Mas há imensas escolhas desde cabanas, camaratas, espaço para campismo ou caravanismo.

Ao chegar, passamos primeiro pelo grande e acolhedor edifício da recepção, mesmo em frente do restaurante do parque (que muito recomendamos), e logo aí somos saudados pelo magnífico e bonacheirão Bono, a estrela do parque, completamente doido por paus (cuidado com os vossos pois ele tenta fugir com eles). É aliás bastante frequente vê-lo nas muitas caminhadas e visitas guiadas organizadas pelo parque, com a sua própria mochila. Em relação a estas actividades, deixamos aqui a maior recomendação e agradecimento pela sua organização: o parque tem imensas propostas que valem muito a pena, permitindo conhecer a zona de uma forma mais autêntica e imersiva, praticamente impossível de outra maneira para quem não conhece bem estas paragens. A S. já havia feito algumas, e voltámos agora a repetir, tendo apenas pena de não ter ficado mais dias para usufruir destas experiências feitas por guias certificados e a preços muito convidativos.

Os bungalows em si são encantadores, todos com lareira e inseridos na paisagem sem a agredir, camuflando-se com ela. Ficámos no Lavandisca, um T1L a cerca de 80 euros por noite e com uma localização esplêndida. Todos os bungalows têm janelas envidraçadas viradas para as montanhas (vislumbrar o sol nascer é absolutamente mágico), e estão rodeados de árvores e vegetação particularmente bonitas. Com quartos espaçosos, salas amplas com cozinhas em estilo open plan, e casas de banho práticas e funcionais (só falham, no entender da S., por não terem banheira para as suas bombas), são uma excelente opção para grupos grandes, pequenos ou pessoas sozinhas à procura de calma e tranquilidade.

Fomos realmente uns sortudos. Saímos todos os dias do apartamento para ir colher medronhos da árvore no nosso pequeno jardim (e roubar aos jardins dos outros, mas convém dizer que éramos praticamente os únicos hóspedes em Outubro).

Da mesma forma, e apesar do minimercado do parque vender lenha (e outros produtos, se bem que com pouca variedade e a preços algo elevados), é muito mais divertido explorarmos a zona extensa de mato e pinhal circundante e apanharmos nós próprios pauzinhos (ou pauzões) e pinhas – o crepitar até ganha outro gosto.

 

Nunca conseguimos dominar muito bem a lareira sem ficarmos completamente defumados, mas nada do que um relaxante duche no grande poliban (adaptado a cadeira de rodas) não cure. Numa das noites, a S. até foi à cozinha buscar uma cadeira e levou-a para o chuveiro, tendo permanecido lá sentada perto de uma hora. Tudo é simples, harmonioso e orgânico, com um bom atendimento e localização de sonho. A regressar.

 

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