Visitámos Penedono durante a nossa viagem por Linhares da Beira. Esta vila, localizada no distrito de Viseu, foi uma estreia para ambos e surpreendeu-nos imenso. Se o nome só por si já nos agradava (sendo que adoramos tudo o que seja penedia, pedra e monte), a vila revelou-se ampla e arejada, com edifícios bonitos e casas enormes, sinal da importância que ainda conserva, e da muita que teve em tempos mais áureos. Sentimos que em Penedono o antigo e o moderno convivem com equilíbrio e elegância. Respira-se bem, ali.

Antes de visitarmos o carismático e belo Castelo de Penedono, que funcionou como espaço militar e residência senhorial, fomos dar uma volta rápida pela praça principal muito bem cuidada, e visitar a exposição patente no admirável edifício da Câmara Municipal sobre instrumentos de tortura e punição medievais. Tal tema foi música para os ouvidos da S., fã de tudo o que cheire a terror e sangue. Apesar de termos visto apenas réplicas, quando saímos vínhamos com as pernas ligeiramente a tremer só de nos imaginarmos a usufruir de uma sessão de spa em vários instrumentos relaxantes como a roda, o Empalamento, a Forca, o Garrote Espanhol, a Dama de Ferro, o Berço de Judas, a Mesa de Evisceração, o Quebra-Joelhos, entre muitos outros apetrechos convidativos.

Inspirados por tamanho e sanguinário espetáculo, deslocámo-nos com avidez até ao magnífico Castelo que remonta ao ano 900, sendo que a planta actual é do séc XIV, durante o reinado de D. Fernando.

Logo à entrada, duas enormes réplicas de uma besteira e de uma catapulta deixam antever a história bélica do edifício, também ele pontuado por mecanismos de tortura como a Jaula Suspensa, que não resistimos a testar e na qual o S. deixou a S. pendurada por mais tempo que o acordado.

À saída do castelo, num adro com um extraordinário pelourinho, ficámos a mirar o Hotel Medieval de Penedono, localizado num edifício de pedra lindíssimo e que conta com um charmoso restaurante ao qual só não fomos porque queríamos experimentar o Cova da Loba em Linhares da Beira, base que escolhemos para esta viagem. Não nos arrependemos desta opção, como podem comprovar no nosso relato.

Antes do regresso, ainda tivemos tempo de contemplar a belíssima Igreja Matriz, infelizmente fechada, mas que promete ser de uma beleza e riqueza de cortar a respiração.

Por tudo isto, recomendamos uma visita a esta magnífica vila, tão rica em gentes acolhedoras como em histórias seculares inspiradoras que nos fizeram sonhar com outros tempos.

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