Às vezes, quando estamos mais assoberbados com trabalho, gostamos de mimar o outro com surpresas e saídas para “arejar” a cabeça, mesmo que não sejam longas. Foi com essa intenção que a S. ofereceu um fim-de-semana ao S. na Quinta de São Thiago, na bela serra de Sintra. A nossa experiência diz-nos que ficar num sítio apenas uma noite não permite descansar nem usufruir do local, é demasiado cansativo: chegar, dormir e acordar já preocupados em fazer as malas para sair. Assim, a S. reservou duas noites nesta quinta, e, claro, escolheu a suíte por 110 euros/noite, da qual falaremos daqui a pouco. Antes, convém dizer que a estrada de acesso não é das mais fáceis, sendo muito estreita e de terra batida com buracos (convém usar o GPS). Contudo, indo com espírito de aventura tudo se faz com mais excitação, e além disso o ventura-mobil adora andar na lama e no pó. Dito isto, a S. ainda temeu pelos espelhos do bicho, que felizmente dão para retrair, caso contrário teriam ficado na rua do Regueirinho. Já o estacionamento é bastante amplo e seguro.

À chegada, fomos recebidos pela simpática Idalina, que abriu o grande portão verde de termómetro em riste e informações sobre tapetes desinfectantes (pandemia obriga), sem nunca perder o sorriso e a boa disposição. A Quinta de São Thiago superou todas as nossas expectativas. É um sítio de uma beleza deslumbrante, no meio da serra, com vista privilegiada para o Palácio de Monserrate. Por todo o lado se sente o peso do património familiar da herdade com muitas fotografias espalhadas pelo espaço (a dona, uma senhora com já 90 anos, vive lá, numa das alas interditas aos hóspedes e infelizmente não a pudemos conhecer devido às preocupações com o vírus, perfeitamente compreensíveis, mas ficámos com pena de não a ouvir tocar piano). A casa parece um palácio com uma atmosfera que convida ao relaxamento e descontração. Com uma piscina ENORME, e um jardim encantado onde nos perdemos a vaguear, cuidado, repleto de árvores centenárias.

A quinta em si tem poucos quartos disponíveis para alugar, o que é óptimo e torna tudo mais pessoal e acolhedor, disponibilizando inclusive a louça da casa aos seus hóspedes (a S. pensa em tudo e como não servem jantar e íamos chegar ao final do dia, comprou mantimentos, quem é a maior?). Ao almoço podemos sempre pedir uma coisa leve, como uma sopa ou uma salada, que nos foi servida no grande jardim enquanto mergulhávamos na piscina (quase olímpica), intercalando braçadas com leituras, banhos de sol na relva ou nas espreguiçadeiras.

 

A suíte era maravilhosa, e de um romantismo que só Sintra consegue oferecer. Com vista directa para a serra, piscina e palácio de Monserrate através de uma amorosa portada envidraçada, com mobiliário fantástico, uma sala linda, um quarto ainda mais bonito e uma casa de banho das antigas, a fazer lembrar os solares. Ficámos realmente muito contentes e vale bem os 110 euros diários. Um aviso: há mosquitos. Não sejam como nós e deixem as portadas abertas sob pena de passarem a noite de chinelo na mão a tentar assassinar os danados.

O ritual do S. ao acordar consistia em abrir a janela à procura de Monserrate e gatos no jardim.

O café da manhã ainda perdura na nossa memória. É absolutamente delicioso, caseiro, com enorme variedade, servido numa mesa decorada com requinte. Não nos vamos esquecer daquelas panquecas caseiras…(a S. ia morrendo de desgosto quando no segundo dia não apareceram). Antes de irmos embora, tivemos ainda tempo para fazer umas caminhadas pela zona de floresta cheia de riachos e musgo (apeteceu-nos continuar até Monserrate mas começou a ficar escuro e decidimos voltar para trás), e visitar a majestosa biblioteca da quinta onde nos perdemos a explorar exemplares de qualidade, e a invejar aquele magnífico piano. A regressar, por todas as razões.

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